sábado, 18 de março de 2017

[Resenha] A Seleção, Kiera Cass

Admito, nunca li uma sinopse ou resenha desse livro, na verdade esse é um dos que eu fazia bullying e minha única certeza era de que NUNCA o leria NA VIDA, mas até agora não faço IDEIA de como fui parar nessa leitura e pior, terminar em pouco mais de 7 horas.

Foto retirada do blog Melina Souza
A Seleção é uma distopia romântica de 368 páginas escrita pela autora Kiera Cass e publicada em 2012 pela Editora Seguinte.

Em Illéa, país formado após a destruição dos Estados Unidos, A Seleção é um processo que ocorre poucas vezes em anos, quando o príncipe atinge idade suficiente para casar e precisa escolher uma princesa entre as plebeias do reino, que tem entre 16 e 20 anos, onde apenas 35 são escolhidas para o concurso televisionado para todo o país. O que faz d'A Seleção um evento importante e concorrido é a possibilidade de ascensão no sistema de castas vigente no país e uma gratificação generosa para a família das participantes.
Porém, para América Singer tudo isso não passa de uma enorme bobagem para satisfazer os caprichos de um príncipe vaidoso e a separar de sua família e seu namorado secreto, Aspen. Já sua mãe o vê como realmente é: uma oportunidade de conforto e vida nova. Pressionada pela mãe e por Aspen, mas confiante de que nunca seria selecionada, América se inscreve no concurso e tem sua vida totalmente mudada ao ser uma das 35 Selecionadas.

A Seleção é uma distopia romântica e se passa no jovem país Illéa, originado a partir do Estado Americano da China, antigo Estados Unidos antes da 4ª Guerra e de sua aliança com a China. Devo dizer que o livro é um misto de Jogos Vorazes - sem mortes e cheio de glitter e purpurina - Miss Simpatia, O Diário da Princesa e programas de namoro como Rola ou Enrola, Namoro na TV, etc.mas diferente de outras distopias, cheias de sangue e revolta, Kiera Cass adaptou o gênero para uma história mais leve e feminina, com foco nos dramas de sua protagonista adolescente e vez ou outra revela conflitos políticos e sociais escondidos por baixo dos panos.

O livro é narrado em primeira pessoa por América, que a princípio é uma personagem feminina forte, centrada, talentosa e submissa, pertencente a casta Cinco, de músicos e artistas em geral, cuja natureza pobre, está apenas 3 degraus acima da última casta da hierarquia. Mas, após sua chegada ao palácio, sua postura torna-se incoerente, pois apesar de ainda negar a competição e deixar claro para si e para o príncipe Maxon que está ali apenas pela comida e pelo dinheiro, que não nutre sentimentos pelo príncipe e não tem nenhuma pretensão de "ganhar", suas ações demostram completamente o contrário, o que faz dela uma competidora tão feroz quanto suas concorrentes. E em meio a uma visão de mundo machista e esnobe, América surpreende não se curvando facilmente a estas ideologias, provando-se durona e tão capaz quanto qualquer pessoa nascida em casta mais elevada e isso me conquistou totalmente.

Essa era a verdade, no fim das contas. Ainda não sabia o que queria, mas não podia me deixar levar pelo mais fácil ou por aquilo que os outros achavam certo. Só precisava de um tempo até decidir o que era melhor para mim."
Geralmente não me conecto tão facilmente com alguns personagens e custo um pouco a compreendê-los, mas com América isso foi rápido e fácil. O príncipe Maxon é um gentleman, afinal, ele é um príncipe e carrega todas as qualidades de tal título, como carisma, lealdade, companheirismo, charme e inteligência. Sua personalidade é difusa e flexível, pode-se dizer que ele alcança o equilíbrio e, como vemos sob os olhos de América, ainda apaixonada por Aspen, Maxon, com todas as suas qualidades é apenas insuficiente para ela. A amizade de Maxon e América, que começa a partir do improvável, é o que lhe dá grande força e ar de normalidade, características que lhe fogem pela expectativa que carrega em seu título.

Aspen e América, por outro lado, têm uma história, tendo em vista que namoraram secretamente por 2 anos e pretendiam casar, tanto que até juntavam dinheiro para isso; mas por serem de castas diferentes, ele um Seis e ela Cinco, o relacionamento mantinha-se secreto, não que fosse proibido, mas os encontros após o horário de recolher eram. Por ser um Seis, Aspen é mais pobre que a família de América e trabalha como ajudante geral para sustentar sua família numerosa, como todos de sua casta, e é extremamente orgulhoso, características estas que o levam a terminar com América. 
  
Por trás da aparência de um livro romântico e "feminino" a autora construiu uma atmosfera de cunho social respeitável, com divisão de castas, leis retrógradas e conservadoras, além de explicar com alguns detalhes a história de Illéa e sua formação como país, que, alias, é ensinada oralmente para a população, sem uso de livros ou escrita. O que entra em outro tema interessante, que é a falta de informação e conhecimento da própria história que o povo de Illéa possui, fato este questionado por América, mas que acabou sem resposta neste primeiro livro - e espero encontrar nos próximos.  

Ao longo do livro estas questões políticas se sobressaem em forma de crítica e preconceito, mas principalmente, por meio de ataques de grupos rebeldes ao palácio que ainda não tiveram suas reivindicações definidas, mas considerando o sistema falho pobreza, fome e exploração, não fica difícil de imaginar. Parece uma Idade Média 2.0 - e se o futuro é assim, prefiro não estar nele.



Por fim, fiquei bem satisfeita com o livro, foi além das minhas expectativas - que convenhamos, eram bem baixas. Com uma trama promissora, a escrita simples de Kiera Cass prende do começo ao fim e não te faz querer parar até acabar. América é uma personagem carismática e fácil de se identificar. Já estou bem ansiosa e com altas expectativas para começar  A Elite.



Nota:

Editora: Seguinte
Páginas:
368

Publicação: 2012
Sinopse: Para trinta e cinco garotas, a Seleção é a chance de uma vida. É a oportunidade de ser alçada a um mundo de vestidos deslumbrantes e joias valiosas. De morar em um palácio, conquistar o coração do belo príncipe Maxon e um dia ser a rainha. Para America Singer, no entanto, estar entre as Selecionadas é um pesadelo. Significa deixar para trás o rapaz que ama. Abandonar sua família e seu lar para entrar em uma disputa ferrenha por uma coroa que ela não quer. E viver em um palácio sob a ameaça constante de ataques rebeldes. Então America conhece pessoalmente o príncipe - e percebe que a vida com que sempre sonhou talvez não seja nada comparada ao futuro que nunca tinha ousado imaginar

2 comentários:

  1. Eu basicamente amei todos os livros da série,até mesmo A Herdeira e A Coroa que são bem mais pra frente,mas há quem reclame do último livro A Escolha,então não sei bem como você vai reagir a ele rsrs
    Mas vale a pena ler todos :D
    Beijos ^.^

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  2. Oieee! Sempre quis ler esse livro, já tinha ouvido minha prima falar sobre ele e depois de ler a sua resenha me deu mais vontade ainda. rs Preciso ganhar de presente.
    Adoro viajar no tempo com os livros, é uma delícia.

    Beijos!!
    canalcereja.blogspot.com.br

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